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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Reinaldo Azevedo responde o sensacionalismo e proselitismo de Xico Sá: A Folha lhe ofereceu espaço para declarar voto em Dilma, e ele recusou.

Não sei o que ou quem move Xico Sá. Espero que seja só o equívoco ou a sede do estrelato, que eu percebia muito nítida quando trabalhei com ele. Eu já tinha decidido me manter longe de sua pantomima, mas, fico sabendo, ele cita meu nome no twitter. Não é a primeira vez que me ataca, consta, mas eu o deixei de lado por duas razões:
a: tenho certa dificuldade de brigar, por razões ideológicas ou algo assim, com gente com que já tive uma relação cordial, amiga até. Acho que não vale a pena;
b: há muito tempo, passei a considerar Xico Sá um bom humorista e um mau comediante — como ator, falta-lhe o tempo da piada. E eu nunca bato boca com gente que faz humor porque o intuito final desse ofício é a graça, não a verdade. E a graça tem seu lugar no mundo, inclusive para iluminar a verdade.
Xico, no entanto, envereda para a estupidez quando posta esta porcaria no Twitter:
tuite xico sa
Pela ordem:
1: Xico pediu demissão, não foi demitido;
2: Xico conhece as regras desde a contratação e sabe que a Folha permite quase tudo — entre as pouquíssimas restrições, está a declaração de voto no espaço da coluna. Pode-se gostar disso ou não, concordar com isso ou não, mas a exigência não é nova;
3: é claro que eu não sou “neutro”. Como Xico nunca foi. Quem é “neutro”? Janio de Freitas? Gregorio Duvivier? Ricardo Melo? Antonio Prata? André Singer? Guilherme Boulos? Juca Kfouri? Vladimir Safatle? Ora, Xico…
4: Xico tenta me usar como bode expiatório, como faz Gilberto Carvalho, numa operação que parece coordenada. Se o PT chega a esse limite, é sinal de que a coisa está feia mesmo;
5: a Folha tem 125 colunistas. Desconheço se há tantos em qualquer outra empresa jornalística do mundo. Desses, quantos não se identificam com teses de esquerda? Será que chegam a 15%? Se ela fosse refletir o corte ideológico da sociedade, os conservadores deveriam ser superiores a 50%.
Xico está fazendo campanha eleitoral. É um direito dele. Mas mentir é feio. Num outro tuíte, ele afirma que já foi obrigado a mentir como repórter. Lamento pelo mentiroso arrependido. Nunca fui repórter. Trabalhei em edição e lido hoje com colunismo. Nunca ninguém me obrigou a mentir. Xico mentiu por quê? Para comprar o leite das crianças? Não havia, então, um jeito honesto de ganhar a vida, rapaz? O jeito honesto é esse de hoje?
Fui coordenador de Política da Folha de S.Paulo, na década de 90, em companhia de Nilson Oliveira, quando ele era repórter. A editora era Paula Cesarino Costa, hoje diretora da Sucursal do Rio. Se Xico mentiu, nós não ficamos sabendo. Mentiu para nós também. Fomos enganados por ele. Se mentiu, atendia a outros interesses, que não os do jornalismo, e nós todos — incluindo seus colegas — fomos vítimas de um trapaceiro. Mas acho que ele está apenas fazendo embaixadinha para a torcida. Acho que ele mente agora. Ou será que Otavio Frias Filho, diretor de Redação, combinou com ele alguma mentira que não passava pela hierarquia da redação?
Kennedy Alencar era o pauteiro da manhã. A bancada de repórteres em São Paulo incluía Emanuel Nery, Carlos Eduardo Alves, Cláudia Trevisan, Mario Simas Filho, Marcelo Mendonça, Andrews Greenlees, Luiz Henrique Amaral — posso estar esquecendo de alguém, pelo que me desculpo. A diversidade de opiniões era grande.
Eu e Nilson éramos os encarregados de saber, no fim da tarde, o que tinha e o que não tinha rendido da apuração dos repórteres, inclusive de Xico, que era famoso na bancada por ter criado uma palavra: “cascatol”.
— E aí, Xico, alguma coisa? Rendeu?
— É, tenho aqui um “cascatol”…
Sim, a palavra é derivada de “cascata”, sinônimo de conversa mole, de papo furado, de nada, mas com lead. Invariavelmente, seus “cascatois” eram rejeitados. Quando tinha notícia — e o mesmo valia para os outros —, então a reportagem era publicada. Afinal, não confundíamos a amizade, o bom Xico dos cascatóis, com o nosso trabalho.
Já lá se vão pouco mais de 20 anos. Ele sabe como eu trabalho, e eu sei como ele trabalha. Eu tinha uma relação cordial com ele e o considerava divertido, sempre metido numa personagem que inventou para si mesmo: o do nordestino que empresta sensibilidade à rispidez do sertanejo (o que ele nunca foi; é um homem absolutamente urbano; parece que lhe tem faltado é urbanidade, que é outra coisa); o do feio por quem as mulheres sempre suspiram; o do machista sensível; o do rapaz culto que mistura Sartre com buchada de bode.
Mesmo divergindo dele, eu o convidei para escrever textos para a revista Primeira Leitura — confiando, aliás, que ele não mentia. Tenho aqui comigo uma reportagem muito dura, com a sua assinatura, contra o Bolsa Família — que ainda não tinha esse nome porque estamos falando do governo FHC.
Lamento muito que Xico tenha enveredado por esse caminho. Nesses anos todos, mesmo tendo sido provocado às vezes, fiquei calado. Já disse que tenho dificuldade de sacrificar amizades — mesmo as que ficaram no passado, sem atualização — em razão de divergências políticas, ideológicas e afins. Mas Xico, como se vê, não tem esses pruridos e não sei quais outros andou perdendo ao longo da vida. Ele agora descobriu “a causa” e, por ela, sacrifica até a verdade.
De resto, Xico era um dos mais mordazes críticos da esquerda na década de 90, quando o PT estava na oposição. Ele chegou até a inventar um “MST” muito particular, que fazia piadinha com este que conhecemos, emprestando-lhe, adicionalmente, um viés machista. Xico era um pós-esquerdista quando o PT estava fora do poder. Agora virou esquerdista antediluviano para consumo das redes sociais.
Sei que me meter na briga, Xico, como você fez, rende barulho na rede. Mas tente ser intelectualmente honesto. Com algum esforço, você vai se lembrar como é.
A propósito: ele diz sair da Folha num ato de rompimento com “a imprensa burguesa”. Ah, bom! Ele só não promete romper com a TV Globo, que, como se sabe, é um antro de trotskistas.
De resto, e este único fato talvez possa dispensar todo o resto, que entra apenas como argumento adicional: Sérgio Dávila, o redator-chefe da Folha, lhe ofereceu o nobilíssimo espaço na página 3, em “Tendências/Debates”, para fazer a sua declaração de voto. Ele se recusou, pediu demissão e saiu por aí posando de vítima. VERDADE OU MENTIRA, XICO SÁ? 
Tenham paciência!
Por Reinaldo Azevedo

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