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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Enoli Lara continua em forma: Primeira desnuda do Carnaval relembra como se tornou um "mito eternizado"


Enoli Lara posa descontraída na cobertura do apartamento onde mora em Ipanema, no Rio. A atriz e ex-modelo fez história na Marquês de Sapucaí ao ser a primeira mulher a desfilar totalmente nua na passarela do samba André Durão/UOL
Era 1989, ano que o Brasil tinha recém saído da ditadura militar, quando Enoli Lara desfilou nua na escola União da Ilha representando a deusa grega Afrodite, parte do enredo "Festa Profana". Ela fez história na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, por ser a primeira mulher a desfilar totalmente nua na passarela do samba. "Virei um mito eternizado", diz a passista de 65 anos.
"Fui convidada pelo (carnavalesco) Ney Ayan e topei na hora. Era para ser a deusa Afrodite fazendo amor com deus Baco. Ney me disse que eu teria inteira liberdade para criar. Ele só falou: 'venha de deusa'", relembra Enoli. "Eu tinha comprado quase 15 mil dólares de fantasia, luvas de crinol francês com cristais Swarovski e um tapa sexo em canutilhos", descreve.
Foi uma brincadeira com seu namorado da época, o jogador de futebol Paulo Roberto Falcão, que a motivou a sair sem roupa no desfile. "Naquela tarde toda de Carnaval eu fiquei namorando o Falcão, o 'Rei de Roma'. Disse para ele que iria sair sem calcinha e que ele iria jogar champanhe do camarote. Ele não acreditou que eu faria aquilo. Quando adentrei no setor 1, ninguém esperava. Incorporei Afrodite e fiz movimentos de cópula. Me senti plena a mais de 10 metros de altura. Sou eternamente grata", relembra.
Sacerdotisa do sexo
Enoli admite que este foi um ato de ousadia e rebeldia que marcou a história do Carnaval carioca. "Eu não tinha ideia (que causaria tanto rebuliço), o brasileiro é libertário, mas é machista e patriarcal". Após a nudez, a passista mudou os rumos do Carnaval. No ano seguinte a genitália desnuda foi proibida no sambódromo.
Sua história foi retratada no livro "As Primas Sapecas do Samba – Alegria, Crítica e Irreverência na Avenida" (Editora Nova Terra), dos jornalistas Eugênio Leal, Vicente Dattoli e Anderson Baltar, lançado no último 13 de janeiro.
Atualmente, Enoli Lara trabalha como artista plástica e escritora e, se considera a "sacerdotisa do sexo".
Natural de Porto Alegre, ela se autointitula o "bumbum de Ipanema", seguindo a linha sucessória de Leila Diniz com o título da mulher de Ipanema, Helô Pinheiro como garota de Ipanema inspiradora de Tom e Vinicius e ela, o bumbum de Ipanema.
Leia mais em: http://zip.net/bdqHbS

"A minha entrada no Carnaval foi via futebol como rainha do Flamengo. Saí sem nada, só com pinceladas no corpo. Queria representar uma fogueira crepitando saindo do órgão sexual, como é a euforia do futebol"

Irreverência
Antes de desfilar nua, Enoli já era conhecida pelos 40 mil dólares que ganhou pelos direitos de seu bumbum. Ela venceu um processo contra o uso indevido de imagem por uma agência de publicidade. E, em 1988, em sua estreia no sambódromo, já havia feito primeiro nu pintado na passarela do samba, também na União da Ilha. Ela saiu com as cores do Flamengo pintadas no corpo representando o enredo "Aquarilha do Brasil", assinado pelo carnavalesco Max Lopes em homenagem ao compositor Ary Barroso.
"A minha entrada no Carnaval foi via futebol como rainha do Flamengo. Saí sem nada, só com pinceladas no corpo. Queria representar uma fogueira crepitando saindo do órgão sexual, como é a euforia do futebol. O Renato (Gaúcho) se lambuzou no frenesi da avenida. Essa foi a minha primeira ousadia (no Carnaval) e minha primeira vez desfilando", lembra.
O Carnaval sempre foi presente na vida de Enoli. "Já saí na Portela, três vezes na Vila Isabel, na Mangueira saí como rainha africana, fui madrinha das escolas de acesso, madrinha da Banda de Ipanema e blocos como a Rola Preguiçosa. Sempre usei fantasias ousadas, não gosto de plumas e penas", diz. Sua última aparição em desfiles foi em 2007, na Renascer de Jacarepaguá.
Ainda sem escola confirmada para este ano, a passista diz que muitas coisas mudaram e que hoje não tem mais condições financeiras para arcar com os custos das fantasias. "Nas escolas grandes, as musas e rainhas pagam caro para desfilar. Sempre banquei minhas fantasias, mas hoje não tenho mais condição. Ficou muito caro desfilar", admite. Seu grande sonho seria fazer um "happy end" na avenida e sair como Cleópatra. 
"O despudor gerou o pudor"
Para Enoli, a nudez ainda é muito ousada e tabu. Ela acha que o Carnaval "encaretou". "Vivemos uma sexualidade blindada, preconceituosa e agressiva contra mulheres".
Uma das grandes frustrações de sua vida foi ter entrado no mundo da política. Em 1992, se candidatou para vereadora a convite de Francisco Dornelles que disputou a prefeitura do Rio. Ela defendia a bandeira de saúde sexual e chegou a distribuir camisinhas na campanha política pregando sexo seguro. "Topei e me ferrei. Saí frustrada".
O que ela gosta de fazer é escrever sobre sexo em todos os sentidos – erotismo, misticismo, saúde e sensualidade. Já teve coluna erótica "Transando com Enoli", no jornal "A Notícia", além de sentir-se muito à vontade em frente às câmeras de televisão e lentes fotográficas.
Em 2010, decidiu lançar uma autobiografia "Trilogia do Prazer - A Sacerdotisa do Sexo (ed. Nova Razão Cultural) que conta detalhes de sua história, carreira, amores e quatro relacionamentos, um deles com o escultor Edgar Duvivier e também com famosos como Renato Gaúcho, Falcão e o ator Marcos Winter. Ela pretende reeditar neste ano o livro.






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