Apesar
de ter sido mantido no cargo de ministro do Esporte, Orlando Silva
continua a estampar as manchetes dos jornais em denúncias de corrupção.
Desta vez, um pastor evangélico, fundador de uma igreja que recebeu R$
1,2 milhão do Ministério do Esporte, disse ao jornal Folha de S. Paulo
que foi pressionado a repassar 10% do dinheiro para os cofres do PCdoB,
partido de Orlando. "Veio um monte de urubu comer o filezinho do
projeto", disse ao jornal David Castro, 56, que dirige a Igreja Batista
Gera Vida, de Brasília. Ele conta ter se negado a pagar a propina, mas
recebeu a verba. Filiado ao PP, Castro afirmou, entretanto, ter sofrido
retaliação. "Na hora da prestação de contas [do convênio], houve
dificuldade porque evidentemente não houve propina", disse. O ministério
fechou convênio com a Igreja Batista Gera Vida no fim de 2006 para
desenvolver atividades esportivas para 5 mil crianças carentes, dentro
do programa Segundo Tempo. Funcionário aposentado do Banco Central, o
pastor se recusou a dar o nome das pessoas que teriam cobrado a propina,
mas afirmou que uma delas era um funcionário do ministério e que usavam
o nome do PCdoB e do ex-ministro Agnelo Queiroz, agora governador do
Distrito Federal. Em resposta, o ministério afirmou ser mentira que a
prestação de contas do pastor David Castro foi reprovado por que não
houve pagamento de propina, e negou que houvesse a cobrança.
A revista Veja desta semana publica trechos de um áudio gravado pelo
policial militar João Dias Ferreira, delator do suposto esquema de
propina no Ministério do Esporte em favor do PCdoB. O esquema, segundo
informou em noticiário durante a semana, consistia na cobrança de 20% do
valor arrecadado por Ongs em convênios através do programa Segundo
Tempo. O PM gravou a conversa que teve em abril de 2008 com Fábio Hansen
à época chefe de gabinete da Secretaria de Esporte Educacional, a
repartição que gerencia o programa “Segundo Tempo”. “Eu só posso dizer a
você duas coisas: primeiro, nós vamos apurar que merda é essa. A coisa
fugiu do controle (...) Isso é um absurdo, está errado. Antes de mais
nada, tá errado. […] Como é que você tá sendo cobrado em R$ 3 milhões?”,
disse Hansen, que tentava acalmar o policial, decidido a denunciar o
esquema. João Dias reclamava que, por não ter pago a propina, o
ministério enviou à Polícia Militar do Distrito Federal um documento que
responsabilizava o policial por irregularidades detectadas na execução
dos convênios. O documento poderia custar a João Dias o emprego na PM.
Na tentativa de pacificar o policial, Fábio Hansen declara: “O que nós
estamos tentando aqui é tentar remediar a merda que foi feita.” Charles
Rocha, então chefe de gabinete da secretaria-executiva do Ministério do
Esporte, sugeriu: “A gente pode mandar lá [para a Polícia Militar do DF]
um ofício desconsiderando o que a gente mandou.” Decorridos dois dias, o
ministério fez exatamente o que os auxiliares de Orlando Silva
combinaram.