Delúbio Soares (*)
O mundo não está só globalizado: ele está em rede. Aliás,
muitas redes. E elas tornaram o planeta muito menor e bastante melhor. Com o
advento da internet, a rede mundial de computadores, experimentamos mudança
radical em nossas vidas. Em todos os setores, do comércio à educação, dos
serviços à saúde, do entretenimento aos esportes, percebemos a força dessa autêntica
revolução que pulsa nas telas dos micros, dos notebooks, dos tablet’s, dos
celulares, dos terminais.
A presença do computador em nossas vidas já se consolidara
muitos anos antes. Mas, nos dias de hoje, ele já perdeu a imagem de verdadeiro tótem
futurista, de máquina distante e fria. Foi por obra de quando as pessoas se
aproximaram mais umas das outras, desacralizando o suposto mistério da
tecnologia da informação e utilizando as redes sociais da internet para uma
vida melhor, mais inteligente, e com mais qualidade em todos os sentidos.
Os indicadores mais recentes da utilização e acesso à rede
mundial de computadores pelos brasileiros são impressionantes! Ao final do ano
de 2010 cerca de 74 milhões de pessoas (com mais de 16 anos de idade)
utilizavam a internet. Mais 3 milhões de brasileiros (com menos de 16 anos)
engrossaram esse número altamente expressivo. Com 77 milhões de brasileiros –
pouco menos da metade de nossa população total – acessando a rede mundial de
computadores, o IAB (Interactive Adverstising Bureau), com base em pesquisas
realizadas pelo IBOPE, pode sentenciar: “a
internet é mídia de massa!”
O IAB é uma associação que existe em mais de 45 países cuja
principal missão é desenvolver o mercado de mídia interativa. O IAB Brasil conta atualmente com cerca de
cem filiados, entre sites e portais, empresas de tecnologia, agências e
desenvolvedoras web, líderes em seu segmento no país. Portanto, não lhe faltam
nem conhecimento nem autoridade na área. Melhor termômetro de nossa realidade
na área da internet, impossível.
Quando o governo Lula se iniciava, em inícios de 2003, apenas
19,4 milhões de cidadãos de nosso país tinham acesso à internet. Um indicador
tão ruim quanto os vergonhosos indicadores sociais (educação, saúde, habitação,
qualidade de vida, etc...) herdados do governo de Fernando Henrique Cardoso e
do PSDB/DEM. Com a política desenvolvimentista do governo do PT e dos partidos da
base aliada, tendo a melhoria das condições de vida de nosso povo como
principal preocupação, a cidadania digital foi implantada a passos largos (ou
mais megas e terabytes!) e hoje formidáveis 81,07 milhões de brasileiras e brasileiros
acessam regularmente a internet.
Da herança maldita dos tucanos, nós petistas realizamos a
façanha de corresponder aos anseios de modernidade e comunicação de um país que
cresce a cada dia e seu povo, agente principal das transformações profundas
pelas quais o Brasil vem passando na última década. O computador nas mãos de
todo e qualquer brasileiro significa a democratização do saber e da informação.
O governo Lula exterminou uma odiosa situação: como herança renitente da década
infame do tucanato, o acesso à internet era partilhado por 50,2% das classes A
e B, e 49,8% dos internautas eram das classes C, D e E. Hoje, quando o
computador está acessível aos brasileiros e já está incorporado à rotina de suas
famílias, 52,8% dos acessos são de brasileiros das classes C, D e E, onde se
localizam a classe média e os trabalhadores, e 47,2% são das classes A e B, os
ricos e a classe média alta.
É um verdadeiro milagre, somente possível pela decisão
política dos governos de Lula e de Dilma, a familiarização dos brasileiros com
a internet, massificando a utilização de seus recursos e das redes sociais:
Facebook, Twitter, Linked In, Orkut, etc... Causa calafrios aos nossos
antecessores no governo a imagem deslumbrante de um aluno pobre de escola
pública no Oiapoque, divisa do Amapá com a Guiana Francesa, acessando os
maiores museus do Brasil e do mundo, poder visitá-los virtualmente e se informar
sobre cada um deles, saltando do MASP na Avenida Paulista para o centenário e
emblemático Museu do Louvre, no coração de Paris. Pois isso pode estar
acontecendo milhares de vezes no exato momento em que você, amigo leitor,
estiver lendo esse artigo e imaginando essa viagem fantástica empreendida pela
eterna e imorredoura sede de saber do ser humano. Apesar do imenso esforço que
certa parte de nossa elite dirigente – a parte mais reacionária e desumana –
sempre fez para deter o poder através de expedientes condenáveis, da submissão
intelectual e da incultura da maioria absoluta de nosso povo, a situação se
inverteu claramente.
Hoje temos uma pequena elite que ainda não compreendeu o
momento vivido pelo Brasil e o mundo, nem teve a mínima competência para
decifrar os signos de um novo tempo que já chegou há quase uma década. Não
poderia, portanto, decodificar, compreender ou aceitar a poderosa equação de
que diante de meias verdades ou mentiras inteiras, da manipulação rasteira dos
fatos, da desinformação a serviço de interesses inconfessáveis, os brasileiros
estão utilizando a internet e as redes sociais para se informarem e conhecerem
a verdade dos fatos, sem a tutela desonesta dos que mascaram a realidade,
assassinam reputações, premiam e punem a seu bel-prazer e de acordo com suas
conveniências políticas, ideológicas, econômicas ou, até mesmo, meramente
pessoais.
Já há algum tempo lancei meu blog (www.delubio.com.br). Tem sido um espaço valioso para a
difusão de idéias e sua discussão franca, sempre em nível elevado e com a
participação espontânea dos internautas. Logo depois veio o Twitter (@delubiosoares),
onde acompanho milhares de pessoas e por elas sou seguido, com a rapidez
vertiginosa do bem-sucedido microblog, informando e debatendo em tempo real.
Com minha chegada ao Facebook (www.facebook.com/delubiosoares)
consolidou-se o processo de utilização das redes sociais, interagindo com
brasileiros de todos os rincões. Cotidianamente, à luz do dia ou em plena
madrugada, dialogo com brasileiros que sequer conheço pessoalmente, debatendo
com franqueza e intercambiando impressões sobre os mais variados assuntos, numa
experiência que tem agregado muito valor a meu trabalho como militante político
e cidadão.
Minha experiência pessoal é o melhor testemunho que posso dar
sobre a importância da rede. Faz poucas semanas difundi minha “Defesa ao Supremo Tribunal Federal”,
brilhante trabalho dos respeitados juristas Arnaldo Malheiros e Celso Villardi
e suas equipes. Tomei a iniciativa de divulgar o inteiro teor de uma peça
jurídica muito bem fundamentada, composta por documentação farta e testemunhos eloqüentes.
Esperava não só levá-la ao conhecimento dos milhões que navegam no mundo
virtual, mas estimular a leitura e a avaliação dos brasileiros, partilhando
dados, fatos e informações da maior importância e, quase sempre, não encontradas
na mídia tradicional. O resultado não poderia ter sido mais auspicioso:
iniciou-se debate transparente, fluído e sem preconceitos, onde colho as
impressões e a opinião de cada internauta. Além disso, tenho divulgado meus
artigos semanais, leituras que faço e partilho com todos, milhares de mensagens
de apoio e solidariedade recebidas de norte à sul do Brasil.
Há muito a ser feito, ainda, em relação à internet em nosso
país. Ela já se encontra disponível em nossas escolas, está gratuitamente nas
ruas, praças e bairros de centenas de cidades, adquire importância singular e
se torna quase insubstituível na vida das pessoas a cada dia que passa. Os
governos petistas têm levado a sério a missão de democratizar a rede mundial de
computadores, em benefício do povo brasileiro e do futuro de nosso país. O
programa “Um computador por aluno” (UCA) redobra sua importância e defendo que
cada professor receba, também, um tablet ou notebook para auxiliá-lo em sua
sagrada missão de ensinar. A banda larga mais rápida e mais barata não é uma
utopia, senão uma necessidade que o Brasil do futuro nos impõe e o governo
Dilma persegue com sincera decisão político-administrativa.
O expressivo crescimento da utilização da rede, tanto no
Brasil quanto em todos os países em desenvolvimento, é o indicativo seguro de
que se estabelecem novos paradigmas. Todos eles muito bem-vindos: democracia na
informação; nova ferramenta de desenvolvimento científico, educacional e
econômico; veículo de crescimento social dos povos e Nações.
(*) Delúbio Soares é professor