A repórter Monalisa Perrone, da TV Globo, foi agredida nesta
segunda-feira (31), quando falava ao vivo durante o "Jornal Hoje", por
um homem que já atrapalhou transmissões ao vivo da TV Globo e de outras
emissoras.
A agressão ocorreu no início do telejornal (veja no vídeo ao lado). Monalisa Perrone estava em frente ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo,
e foi chamada pela apresentadora Sandra Annenberg para dar mais
informações sobre o tratamento quimioterápico do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
Quando começou a falar, dois homens apareceram correndo atrás dela. Um deles a derrubou.
A transmissão do hospital foi interrompida. Do estúdio, a apresentadora
Sandra Annenberg lamentou o fato. Uma reportagem sobre o quadro de Lula
foi exibida e, quatro minutos depois, Monalisa voltou a falar ao vivo,
direto do hospital. "Levei um susto enorme. Estou tremendo. Em 20 anos
de profissão isso nunca me aconteceu. Um desrespeito enorme. Mas, enfim,
televisão ao vivo é isso", disse.
Em seguida, ela passou o microfone para o repórter José Roberto
Burnier, que completou a reportagem. "Estou passando para meu colega,
que está mais calmo."
A Central Globo de Comunicação (CGCom) informou: "Trata-se de pessoas
cujo propósito é aparecer. Não é a primeira vez". A TV Globo registrou
queixa contra os agressores.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou uma nota, em que se diz "estarrecida com o ato de vandalismo".
Leia a íntegra da nota da ABI:"A ABI (Associação
Brasileira de Imprensa) de São Paulo, estarrecida com o ato de
vandalismo contra a jornalista Monalisa Perrone durante sua participação
ao vivo no Jornal Hoje, vem prestar solidariedade à jornalista e à
direção de jornalismo da Globo, num momento tão delicado onde vândalos
agridem a liberdade de imprensa e o trabalho do jornalista.
Jamais, em tempo algum, ato de agressão física é aceito por qualquer
motivo que seja. Debates e diferenças de ideias devem ser mostradas em
discussões civilizadas e com o mínimo de dignidade.
O ato de agredir publicamente um jornalista no desempenho de sua
profissão e no desempenho da informação livre ao povo é o mais baixo de
todos os atos, que deve ser punido como tortura contra a pessoa, que foi
o que realmente aconteceu, além de ameaça direta e pública contra o
povo livre.
A ABI já viveu momentos de defesa da liberdade de imprensa contra as
torturas e ameaças de violência contra a liberdade de ideias nos
momentos mais triste do Brasil.
Exatamente por isto não podemos deixar de passar este momento de
agressão à mídia e à imprensa sem prestarmos solidariedade à Rede Globo e
repulsa a todos aqueles que agridem moral e fisicamente a liberdade.
Rodolfo Konder e James Akel"